Após assistir ao jogo contra o Bayern novamente, pude perceber como foi clara a mudança de postura do time depois das entradas de Giroud e Rosicky. Como já havia sido salientado no post anterior, o tcheco adiciona uma dinâmica que o Arsenal desesperadamente necessita, uma vez que, infelizmente, o time tem um péssimo hábito de se acomodar nos jogos, jogar como se estivesse tudo resolvido, quando, na verdade, ainda há tudo a resolver.
A primeira jogada, depois das alterações, foi um lançamento arriscado de Rosicky para Walcott (como winger novamente), que cruzou para Giroud (o atacante que faltava). Não foi gol, mas foi uma bela demonstração de como simples ajustes podem fazer maravilhas a esse elenco.
O lançamento de Rosicky é algo a ser observado. Na época de Fàbregas, facilmente veria-se um lançamento longo primoroso para deixar alguém em boa posição, seja para o passe ou para a finalização. Com sua saída, o Arsenal até hoje não arranjou um substituto para essa função: a de se arriscar, tentar os lançamentos que poucos tem capacidade de fazer. Song tentou replicar essa característica, mas sua habilidade é incomparável à do espanhol. Já hoje, quem pode ser esse jogador? Cazorla foi contratado para tal fução, mas já ficou mais do que claro que ele não é o mais indicado para ser o armador do time. Quase nunca tenta um passe mais arriscado, de profundidade... Por elevação, então, não mesmo... Assim, Rosicky parece ser o único jogador disposto a tentar algo diferente, que surpreenda o adversário.
Muito dessa capacidade de ser o diferencial passa pela questão da confiança. Tomemos como exemplo o Shakhtar Donetsk, que, teoricamente, por jogar num campeonato mais fraco, como o Ucraniano, seria inferior aos clubes que jogam nos grandes centros. No entanto, isso não acontece... É fácil perceber a tranquilidade e confiança com as quais seus jogadores atuam. As jogadas são, geralmente, tão arriscadas e agudas que você até duvida que vão dar certo, mas correr riscos faz parte do jogo! Talvez o fato deles já terem conjunto há um BOM tempo tranquilize-os nessa hora, mas, inegavelmente, Mircea Lucescu realiza um excelente trabalho psicológico com o clube pseudo-ucraniano (brasileiro).
Voltemos à nossa realidade: por que, no Arsenal, ninguém arrisca nada? A resposta pode estar no que vem acontecendo com Arsène Wenger. Passam as janelas de transferência e só o que se vê é o clube, teoricamente, se enfraquecendo. Começa, então, a pressão em cima do treinador. Depois, isso passa para os primeiros maus resultados. Com isso, começam os primeiros movimentos anti-Wenger. Por fim, isso leva os jogadores a saírem em sua defesa, já que ele tem toda uma história gloriosa com o clube. Já, inúmeras vezes na temporada, ouvimos jogadores declararem que a culpa não é do treinador, sim deles próprios! Muitas vezes, sim, é deles mesmo, mas muitas vezes, também, a culpa é do francês! No entanto, todo esse seu respaudo de glórias passadas faz com que os jogadores ponham a culpa sempre neles próprios. O que acontece é óbvio, a confiança cai... E com a queda de confiança, há queda no rendimento, e por aí vai, numa bola de neve. Trocar de manager talvez fosse a solução; uma troca de ares, uma nova motivação. Porém, nada garante que, a longo-prazo, talvez tivesse sido melhor ter, de fato, mantido o glorioso Arsène Wenger.
Ainda é cedo para falar que a temporada acabou, que Le Boss deve sair e todas aquelas coisas realistas/pessimistas que tem cadeira cativa no final de todas nossas temporadas recentes. Deve-se lembrar primeiro que, na temporada passada, o Arsenal quase reverteu um déficit de 4 gols para o Milan. Portanto, reverter um de 2 para o Bayern não parece ser tão ruim assim. A imprensa já dá como certa a eliminação do Arsenal na Champions League, e mais, a não-classificação para sua próxima temporada. Agora, mais do que nunca, está na hora de mostrar do que esse elenco é capaz. Afinal, não há nada a perder.
No próximo post vamos revelar os possíveis planos para a próxima temporada. Fiquem ligados.
Rosicky é craque. Se não fosse as contusões, estaria no top 10 dos meias. Em forma, ele tem que ser titular absoluto.
ResponderExcluirCom certeza!
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