O placar já dá dicas do que aconteceu no jogo. Jogando em casa, o Arsenal venceu mais uma partida - a sexta no campeonato - e manteve-se na liderança da Premier League. A vítima da vez foi o Norwich City, agora 18º colocado, na zona de rebaixamento. Os gols foram marcados por Wilshere (18'), Özil (58', 88') e Ramsey (83').
O time foi a campo com essa formação:
O jogo começou intensamente. Aos 5', o recém-recuperado de lesão Cazorla já criava a primeira chance de perigo, com um chute rasteiro, no canto do gol defendido por Ruddy. O goleiro canário, diga-se de passagem, teve uma ótima performance no jogo.
O Arsenal continuou no ataque e, aos 17', foi brindado com uma pintura. De Cazorla para Wilshere, de volta para Cazorla, para Giroud, para Wilshere, para Giroud, para Wilshere... Gol! Isso tudo em 8 segundos! Com certeza, para muitos torcedores, não só do Arsenal, esse foi um dos gols mais bonitos dos últimos tempos. Wenger concorda:
"Esse foi, certamente, um dos melhores gols do Arsenal, um dos que eu mais gostei também porque foi um gol coletivo. Ele teve triangulações e velocidade, do jeito que você gosta de ver seu time jogar. Infelizmente, isso não acontece sempre. Esse gol foi um misto de qualidade técnica, pensamento rápido, agilidade e também calma na frente do gol. Ele teve quase tudo que você quer ter, calma e velocidade combinadas (...). Foi um grande gol. (...)"
Depois do gol, o Arsenal continuou em cima, tentando aumentar a vantagem. Foi nesse momento que, em um contra-ataque do Norwich, Flamini chocou-se com Tettey. Foi uma pancada forte, choque de cabeça com cabeça. Desnorteado, Flamini ainda tentou seguir em campo, mas acabou sendo substituído pouco depois, aos 38' - Ramsey entrou em seu lugar (para nossa alegria posteriormente). Pouco antes de sua substituição, Giroud chegou perto de marcar o segundo gol do Arsenal.
Sobre a pancada, Wenger falou após o jogo:
"Ele teve uma concussão. Ele ficou com a visão dupla, então, à recomendação do médico, o tirei de campo, porque não quis correr risco algum. Não sei se ele estará disponível para o Borussia Dortmund. Isso depende do que os médicos decidirão. Às vezes, eles são proibidos de jogar por cinco dias. Isso depende do quão grande a concussão foi."
Ou seja, há chances do cão-de-guarda do time não jogar contra o gigante alemão Borussia Dortmund na terça-feira. Infelizmente.
Voltando à peleja, a partir desse momento, o jogo ficou mais parelho. Foi assim até terminar o primeiro o tempo e também no início do segundo. Esse panorama, no entanto, mudou aos 57', quando - acreditem - Giroud cruzou na medida para Özil, que aproveitou a oportunidade e cabeceou para o fundo do gol: 2x0. Bom saber que o inverso também funciona!
Mal deu tempo de comemorar o gol e Cazorla já deixou o campo para a entrada de Rosický. O espanhol finalmente formou a dupla tão esperada com Özil. Sua falta de ritmo, no entanto, não deixou que sua contribuição ao jogo fosse maior. Ainda assim, participou da excelente troca de passes que levou ao gol de Wilshere e deu um chute perigoso no início do jogo. Foi um retorno discreto, mas encorajante.
Apesar do gol aos 57', o Arsenal não conseguiu o controle absoluto das ações por mais uns 10 minutos de jogo. Aos 69', veio o castigo. Após cruzamento da esquerda, Mertesacker afastou mal a bola, que ficou viva na meia-lua. Howson dominou e chutou forte no canto de Szczęsny: 2x1.
Lentamente, o Arsenal foi retomando o controle do jogo. Aos 77', Giroud saiu e Bendtner entrou em seu lugar. Com apenas três minutos em campo, o dinamarquês já teve sua primeira oportunidade. Contra-ataque em velocidade, puxado por Özil, passando por Ramsey e chegando a Bendtner, que chutou forte, obrigando Ruddy a fazer boa defesa.
O terceiro gol não demorou para chegar. Aos 83', outra obra de arte foi produzida no Emirates Stadium. O imparável Aaron Ramsey, simplesmente, deixou dois zagueiros do Norwich sentados dentro da área antes de, calmamente, guardar a bola no fundo do gol: 3x1. Assim, o galês chegou à impressionante marca de 9 gols em 12 jogos pelo Arsenal. Pela seleção nacional, a situação não é diferente: gols contra a Macedônia e a Bélgica recentemente.
Como se não bastassem os gols, Ramsey também vem mostrando toda a sua habilidade e categoria em desarmes, controle de bola e, até mesmo, dribles. Exemplo mais claro que a jogada abaixo não existe. Com um só movimento (roleta ou 360 - drible marcado por Zidane), ele deixou para trás dois marcadores do Norwich. Para finalizar, passe de calcanhar para Özil. Acompanhem:
Mais tarde Ramsey ainda daria uma assistência, coroando uma atuação, novamente, acima da média. O momento é tão bom que dá lugar a brincadeiras como essa da foto abaixo. "Messi, o Ramsey argentino."
Depois de mais um golaço no jogo, o Arsenal fechou o placar, com, novamente, Özil. Aos 88', Rosický cruzou, Ramsey escorou, com categoria, e Özil só teve o trabalho de empurrar a bola para o fundo do gol de Ruddy, que nada pôde fazer a não ser assistir ao brilhantismo do Arsenal no jogo. Aos 93', Wilshere ainda teve chance de acrescentar um quinto gol ao placar, mas o chute errou, por pouco, o ângulo da meta canária.
Os gols e as assistências ficaram, então, com:
• Özil: 2 gols
• Giroud: 2 assistências
• Ramsey: 1 gol, 1 assistência
• Wilshere: 1 gol
Só para constar, nenhum cartão amarelo foi mostrado nesse agradável duelo entre Arsenal e Norwich.
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Top of the League! |
Com os outros resultados da rodada, o Arsenal se isola no topo da tabela, dois pontos à frente de Chelsea e Liverpool, que tem 17 pontos. O Manchester City tem 3 a menos e o Tottenham, caso vença o Aston Villa amanhã, também pode ficar a 3. Com 18 gols pró, o ataque do Arsenal só não é melhor que o dos Citizens, que tem 19. É um belo começo de temporada para o Arsenal - o melhor desde 2007-08.
• Newcastle 2x2 Liverpool - O Liverpool ficou duas vezes atrás do placar, mas acabou conseguindo garantir 1 ponto. Melhor que nada;
• Chelsea 4x1 Cardiff - O Chelsea parece, pouco a pouco, deixar para trás a má fase;
• Everton 2x1 Hull City - O Everton continua tentando cavar seu espaço entre os grandes da Premier League;
• Manchester United 1x1 Southampton - O Manchester United novamente tropeçou, marcando um mal começo de trabalho de David Moyes e um ótimo começo de temporada do Southampton;
• West Ham 1x3 Manchester City - O mesmo West Ham que bateu o Tottenham por 3x0 há duas semanas, perdeu por 3x1 para o Manchester City.
• Everton 2x1 Hull City - O Everton continua tentando cavar seu espaço entre os grandes da Premier League;
• Manchester United 1x1 Southampton - O Manchester United novamente tropeçou, marcando um mal começo de trabalho de David Moyes e um ótimo começo de temporada do Southampton;
• West Ham 1x3 Manchester City - O mesmo West Ham que bateu o Tottenham por 3x0 há duas semanas, perdeu por 3x1 para o Manchester City.
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Flamini e Fàbregas na temporada 2007-08 |
Aproveitando o gancho da temporada 2007-08, vale fazer uma reflexão sobre as diferenças entre o time daquela época e o de hoje.
Naquela temporada, o Arsenal só foi perder a primeira partida na 16ª rodada, contra o Middlesbrough - hoje, na segunda divisão. Essa sequência incluiu vitórias contra o ascendente Man City (1x0), contra o Tottenham (1x3) e uma goleada por 5x0 contra o Derby County, além de empates por 1x1 e 2x2, respectivamente, contra Liverpool e Man Utd. O Arsenal só foi perder novamente na 31ª rodada, contra o Chelsea (2x1), e depois na 34ª, contra o Man Utd (2x1).
A tabela terminou assim:
O que fez com que o Arsenal perdesse o campeonato? Fazendo um resumo simplista, isso se deveu ao excesso de empates contra times menores, especialmente no final do campeonato. Blackburn, Newcastle, Portsmouth, Birmingham (2x), Aston Villa, Wigan e Middlesbrough (derrota no primeiro turno) foram exemplos disso. Foram 5 empates e 2 derrotas nos últimos 12 jogos.
No mata-mata da Champions League, onde o Arsenal foi até as quartas-de-final, sendo eliminado pelo Liverpool, essa foi a escalação mais frequente:
Almunia
Sagna, Kolo Touré, Gallas, Clichy
Diaby, Flamini
Sagna, Kolo Touré, Gallas, Clichy
Diaby, Flamini
Eboué, Fàbregas, Hleb
Adebayor
A grande questão, no momento, é: o Arsenal vai cair no final da temporada, como foi em 2007-08, ou, dessa vez, se manterá forte até o fim? Essa é uma pergunta que não pode ser respondida agora, mas há sinais de que as chances de se manter forte até o fim são maiores.
Curiosamente, além de Sagna, o recém-chegado Flamini foi o único jogador que esteve presente nestes dois times. As boas performances, claro que não são unicamente graças a ele, mas é fato que a presença de um cão-de-guarda, seja ele quem for, faz muita diferença. Depois de Flamini, quem mais se aproximou disso foi Song e, convenhamos, ele não era nenhum primor na parte defensiva.
A parceria entre Flamini e Arteta vem sendo importantíssima para a parte defensiva da equipe. No entanto, se na temporada passada Arteta, como primeiro volante, não era o suficiente, agora Arteta e Flamini juntos podem até mesmo ser proteção defensiva demais. Em um jogo como esse de hoje, contra o Norwich, por exemplo, não há necessidade de usar os dois. Após a lesão de Flamini, Ramsey entrou em seu lugar e o Arsenal ganhou força ofensivamente, sem, por outro lado, se enfraquecer muito defensivamente. Essa é uma das qualidades de Ramsey, saber atacar e defender igualmente bem.
Outro ponto importantíssimo nas boas performances do time até o momento é a presença de Özil, não só por ele ser um meia excelente, mas pelas opções que ele traz consigo. Antes de sua chegada, o Arsenal não tinha um armador. Na verdade, não tinha um desde a saída de Fàbregas há duas temporadas. Cazorla encontrou seu melhor futebol jogando como um falso ponta-esquerda, tendo liberdade para rodar pelo ataque. Com isso, o Arsenal dependia da boa forma de Rosický. O tcheco, em seu melhor dia, pode realizar um ótimo trabalho. Porém, depender de sua disponibilidade não é algo viável, infelizmente.
Além de ser o armador que faltava ao clube, Özil é muito inteligente. Quando há a necessidade de acelerar o jogo, ele acelera. Quando há a necessidade de cadenciar o jogo, ele cadencia. Pode-se considerá-lo já um termômetro para o time. Por muito tempo, o Arsenal pecou por dar seu máximo em cem por cento do tempo, o que, certamente, foi um dos principais fatores (se não o principal) para a queda de produção na temporada 2007-08. É humanamente impossível manter o nível de jogo que o Arsenal mantinha em um calendário com tantos jogos, e tantos jogos duros e complicados como os da Premier League.
Assim, o Arsenal consegue, agora, jogar sem o pé no acelerador, o que não acontecia antes. Na última temporada, inclusive, já houve uma mudança nesse aspecto, só que os jogos sem o pé no acelerador eram jogos monótonos (quase chatos) e de pouca produção. Agora, há um meio termo. Em um mesmo jogo, pode-se ver um Arsenal ligadíssimo e, também, um Arsenal lúcido na manutenção da posse da bola. Os jogos contra o Sunderland e o Swansea, e até mesmo o de hoje, mostram isso. Quando o time parecia perder o controle das ações, vinha a posse de bola e, depois, a recuperação do domínio. Muitas vezes, mesmo sem jogar bem, vinha o gol. O segundo gol de hoje foi um exemplo disso. Saber superar essas adversidades é primordial para um time vencedor.
Aproveitando-se dessa nova possibilidade de acelerar e desacelerar os jogos, o Arsenal pode, finalmente, talvez, resistir a uma temporada inteira em alto nível. Muitos criticam a profundidade do elenco, mas é bem verdade que, sem lesões, o elenco é bastante satisfatório como um todo. Vale lembrar que o Arsenal é líder da Premier League e da Champions League com vários desfalques. Cazorla voltou somente hoje, mas ficou fora por praticamente toda a temporada, junto com Podolski, Chamberlain, Walcott (sua lesão foi, de certa forma, benéfica para o time), Sanogo, Zelalem e, é claro, Diaby.
Resumindo, o Arsenal vem mostrando sua força quando está bem e também quando não está. Pela primeira vez em 5 anos, há esperança concreta de que esse time pode ir longe nas competições em que participa. Títulos? Por que não? O momento é muito favorável para que, enfim, chova no deserto emirati do Arsenal. A seca de títulos de 8 anos tem chances de, finalmente, acabar.
Keep the Faith!!
Fontes:
Arsenal.com (1), Arsenal.com (2) e Premier League.
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