quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Reflexões sobre a janela de transferências e além


Em vista das discussão recentes que venho tendo com alguns torcedores do Arsenal, achei que seria interessante fazer um post falando sobre a janela de transferências no geral. O que já aconteceu? O que ainda está por vir? O que esperar?

O Arsenal conseguiu, finalmente, se livrar de vários jogadores que em nada acrescentavam ao clube. Foram 10 saídas até agora no elenco principal, sendo 7 delas em caráter definitivo. Arshavin, Squillaci, Denílson, Mannone, André Santos, Gervinho e Chamakh se despediram do clube permanentemente, enquanto que Djourou, Coquelin e Joel Campbell foram emprestados. É importante salientar que, entre os emprestados, Joel Campbell é provavelmente o único que ainda tem qualquer tipo de possibilidade de ser reintegrado ao time. O costarriquenho foi emprestado ao Olympiakos para ganhar experiência jogando a Champions League.

As saídas de Arshavin, Squillaci e Chamakh, principalmente, foram excelentes para o clube. Todos eles ganhavam altos salários para entrar em campo, no máximo, 3 vezes na temporada. Não foram bem quando tiveram chances e acabaram sendo "congelados".

Na base, o êxodo de jogadores também aconteceu. Conor Henderson, Jernade Meade, Sanchez Watt, James Shea, Reice Charles-Cook, Sead Hajrović, Philip Roberts, Nigel Neita, Samir Bihmoutine e Josh Rees também deram adeus ao clube.

As chegadas foram poucas até o momento. No elenco principal, apenas o jovem Yaya Sanogo, de 20 anos de idade, foi contratado. O atacante francês veio do Auxerre, clube pelo qual pouco jogou, devido à grande quantidade de lesões que teve nos últimos anos. Foram 21 jogos e 11 gols na Ligue 2 (segunda divisão francesa). Pela França Sub-20, marcou 4 gols na Copa do Mundo desse ano, realizada na Turquia. Já estreou pelo Arsenal contra o Galatasaray na Emirates Cup (vídeo abaixo). Na base, Dan Crowley, Julio Pleguezuelo e Jamaal Raage foram as principais chegadas.


Olivier Giroud foi o único atacante com quem o Arsenal contou durante toda a última temporada. Quando o camisa 12 foi suspenso, ficando de fora das últimas 3 partidas, Arsène Wenger acabou sendo forçado a improvisar Podolski na posição. O alemão, no entanto, não agarrou a oportunidade, não se destacando em nenhum dos jogos. Com a chegada de Sanogo, há agora, pelo menos, duas opções para o ataque.

Não satisfeito, Wenger (ou a mídia) fez de Stevan Jovetić e Gonzalo Higuaín seus principais alvos nessa janela. O primeiro optou por se juntar ao Manchester City, que se mostrou disposto a oferecer tudo o que a Fiorentina (e o jogador) queriam financeiramente. Já o segundo, Higuaín, tinha o Arsenal como sua primeira opção. O Arsenal, por sua vez, tinha Luis Suárez como sua primeira opção. Logo, essa falta de reciprocidade no desejo de se juntar aos Gunners fez com que o argentino se transferisse para o Napoli.

Agora concentrado em Luis Suárez, é possível que o Arsenal sofra mais uma decepção nessa janela. Luisito, que estava forçando a barra para que o Liverpool permitisse sua transferência, pode ter se decidido por ficar nos Reds e ainda renovar seu contrato. Ainda há dúvidas, no entanto, quanto à veracidade dessa reviravolta, já que o próprio jogador teria dito à mídia japonesa que não disse que permaneceria no Liverpool.

Com isso, já se especula quais seriam os novos alvos do clube, considerando que Suárez deixará de ser uma opção. Edin Džeko e Michu seriam, então, parte do novo plano do Arsenal para reforçar o ataque. Wayne Rooney, que foi muito especulado no início da janela, teve os rumores a seu respeito diminuídos agora. Muitos gostariam de ver o Shrek com o canhão no peito, mas a verdade é que o Manchester United ainda está tentando fazer com que ele permaneça no clube, apesar de todo o forte interesse do Chelsea. O destino de Rooney só deve ser, sem dúvidas, conhecido nos últimos momentos da janela.

Por falar em últimos momentos da janela, esse é o maior motivo pelo qual os torcedores do Arsenal não devem se desesperar ainda (nem nunca). Arsène Wenger já mostrou diversas vezes que fará de tudo para contratar o jogador desejado pelo menor preço possível - uma proposta de £40mi + £1 por Suárez é a maior prova disso. Assim, nos últimos dias, os clubes se desesperam para resolver logo suas pendências e acabam liberando seus jogadores por um valor menor do que o considerado ideal, ao passo que outros, por outro lado, são negociados por muito mais do que valem.

Recentemente, Arteta, Mertesacker e André Santos foram contratações de última hora. André Santos, claro, não teve muito sucesso no clube, mas tanto Arteta quanto Mertesacker são hoje titulares. Logo, podemos muito bem ver jogadores sendo contratados pelo Arsenal, nos últimos dias, sem que tenha havido qualquer novela ou boataria a respeito. Afinal, são essas as transferências que dão certo no clube. Falhar na contratação de Suárez é menos surpreendente do que o Arsenal contratar Willian, do Anzhi, por menos de £30mi no último dia, sendo que ele é avaliado em £40mi. (Não que isso vá acontecer... É só um exemplo sem qualquer fundamento.)

Voltando a Luis Suárez, se existir uma cláusula que diga que o uruguaio deverá ser liberado para um clube que disputa a UEFA Champions League e o Liverpool não considerar o Arsenal um clube de Champions League no momento, devemos tratar de nos classificar logo contra o Fenerbahçe para que no dia 28 desse mês, daqui a duas semana, possamos colocar o Liverpool contra a parede e exigir o cumprimento da mesma. É claro que até lá muita coisa pode acontecer, mas, no momento, essa é uma possibilidade.

O Arsenal sempre cresce contra os grandes times na Champions League quando a necessidade aparece, vide Barcelona, Milan e Bayern de Munique em temporadas recentes. Infelizmente, na Premier League é a lógica inversa - o time sucumbe contra os maiores adversários. As altas e baixas é que são o problema. Os momentos de baixa beiram o ridículo, enquanto que os momentos de alta produzem maravilhas. É aí que mora a dúvida. Será que Luis Suárez e/ou Wayne Rooney são aquilo que falta ao Arsenal para que hajam menos momentos de baixa (ou nenhum) e momentos de alta mais constantes? Só o tempo responderá a essa pergunta. Muitos acreditam que sim.


Luiz Gustavo (foto acima) foi um dos últimos jogadores a serem ligados ao Arsenal mais recentemente. O volante brasileiro está sem espaço no Bayern de Munique, o que o fez procurar outro clube para jogar, para que possa se manter com chances de ir à Copa do Mundo de 2014. É uma pena que Gilberto Silva não faça mais parte da Seleção para poder influenciá-lo a escolher os Gunners. Luiz Gustavo pode, certamente, acabar sendo uma espécie de substituo longevo para Gilberto Silva no Arsenal.

Analisemos, então, como o time jogou na temporada passada e o que precisa melhorar/mudar para essa, incluindo o papel que os reforços teriam.


Essa foi a formação titular da temporada passada. Com Jack Wilshere machucado, Aaron Ramsey se firmou como o segundo volante da equipe e Tomáš Rosický, quando esteve cem por cento fisicamente, ocupou o papel da criação das jogadas. Santi Cazorla começou como o armador, mas, com o tempo, foi deslocado para a esquerda.

Essa mudança de Cazorla para a esquerda foi motivada por dois fatores. O primeiro de todos é que Lukas Podolski ainda não mostrou a que veio. Teve parte de sua temporada atrapalhada por uma lesão no pé, é verdade, mas isso não elimina o fato de que ele não conseguiu se destacar no time. O segundo é que, depois de Robert Pirès, Samir Nasri e Yossi Benayoun jogarem como armadores pela esquerda, Cazorla foi naturalmente deslocado para lá, já que Podolski não conseguiu segurar a posição.

O problema é que falta alguém para ocupar a faixa central de criação. Rosický se machuca demais, o que não faz dele um titular absoluto de forma alguma. Cazorla, apesar de toda sua qualidade de passe e visão de jogo, não se destacou pelo centro tanto quanto se destacou pela esquerda. Logo, restaram Wilshere e Alex Oxlade-Chamberlain para a função.

Wilshere já teve mais de uma chance como o armador central, mas já ficou evidente que o futuro capitão do time rende mais quando pode carregar a bola pelo meio, vindo de trás. Chamberlain, por outro lado, teve chances de jogar como armador central na pré-temporada e foi bem, apesar de que os adversários foram abaixo da crítica. Previamente, Wenger já declarou que crê em Chamberlain como meia no futuro. Pode ser que essa temporada, caso se confirme a ausência de reforços para a função, seja a temporada em que Chamberlain poderá brigar pela titularidade, mas não na ponta, onde costuma jogar, sim no meio.

As chegadas de Luis Suárez e Luiz Gustavo seriam as únicas mudanças prováveis, e até o momento pensáveis, que o Arsenal teria nessa temporada. Apesar do uruguaio ser muito bom em driblar e várias vezes ter jogado como ponta pelo Liverpool, é difícil de imaginar que Arsène Wenger teria algo diferente em sua cabeça que não fosse usá-lo como o titular do ataque, mandando Giroud para o banco. Theo Walcott fora dos titulares, com certeza, não é uma opção. Logo, a única alternativa viável seria voltar Cazorla para o centro, jogar Suárez na ponta-esquerda e manter Giroud para o papel de pivô e para as bolas aéreas. Seria bastante plausível considerar essa opção, inclusive para que Sanogo possa ter o mínimo de chance no clube.

Comparando com os outros alvos de ataque do Arsenal, no entanto, podemos pensar que Wenger, na verdade, voltou atrás em sua decisão de ter um homem de referência no ataque, no estilo clássico, como Giroud, e procurou alguém com mais características do "estilo Arsenal". Jovetić e Higuaín, assim como Suárez, são atacantes mais móveis, que também sabem jogar de frente para o gol, com a bola nos pés. Por isso, é mais provável esperar que Suárez fosse jogar como o novo "camisa 9" do time.

No meio, quem iria para o banco para dar lugar a Luiz Gustavo? Alguns torcedores acreditam que Arteta não seria relegado ao banco, fazendo, assim, uma improvável parceria com o brasileiro no meio. Defensivamente, essa seria uma ótima opção. Ofensivamente, porém, deixaria o time demasiadamente defensivo, ou melhor, pouco ofensivo. Arteta, apesar de ter jogado anteriormente como meia-direita pelo Everton, já se consolidou como primeiro-volante. Podem reparar que Arteta raramente sai do círculo central. Ramsey, ao contrário, vai de uma área a outra, fazendo a função que os ingleses chamam de box-to-box (área-a-área). Pode-se esperar que Luiz Gustavo ou Arteta faça tal função? Não.

Luiz Gustavo seria claramente um upgrade à curto prazo para Arteta, que, aos 31 anos de idade, não tem mais muitas temporadas em alto nível à sua frente. Resta saber quem seria seu parceiro. Por mais estranho que pareça, o dono mais provável dessa função deve ser Ramsey. O galês tem muitos críticos seus na torcida, mas muitos não acompanharam sua evolução.

Depois que Ryan Shawcross, do Stoke City, quebrou sua perna no início de 2010, ele demorou para recuperar seus melhores dias. Foi, inclusive, emprestado a Nottingham Forest e Cardiff City, seu ex-clube, para recuperar o ritmo de jogo. Passada essa página, Ramsey voltou a fazer parte do elenco do Arsenal e foi usado muitas vezes como meia pela direita (função similar à que Cazorla faz pela esquerda).

Vale lembrar que muitas vezes Wenger usa jogadores teoricamente "fora de posição" para que eles amadureçam alguns fundamentos e possam ter um melhor rendimento na "função final". Foi assim com Bendtner e Walcott jogando na ponta-direita para serem atacantes no futuro, Charmberlain e Ramsey na ponta-direita para serem meias, entre outros.

Voltando ao meio, Ramsey começou a jogar mais recuado no meio e se deu muito bem nessa nova função. Lembrando que Ramsey começou como meia armador, reserva de Fàbregas na época. Agora como segundo volante, ele parece ter encontrado seu melhor futebol, unindo o vigor físico que lhe permite correr o jogo inteiro sem terminá-lo exausto à qualidade de passe.

Se houver uma disputa entre Wilshere e Ramsey pela posição, arrisco dizer que Wilshere terá uma desvantagem que é não ser tão eficiente quanto Ramsey (muito menos que, na verdade) defensivamente. Coincidentemente ou não, quando Ramsey começou a jogar como segundo volante na temporada passada, o Arsenal passou a sofrer menos defensivamente.

No amistoso contra o Manchester City, jogaram Arteta, Ramsey e Wilshere no meio e Chamberlain na esquerda. Se foi proposital ou não, só Wenger sabe, mas Chamberlain praticamente não ficou na esquerda. Na maior parte do tempo, ele esteve à frente dos outros três, o que propiciou a chance de Wilshere jogar junto com Ramsey e, ainda assim, poder carregar a bola vindo de trás, com Chamberlain fazendo a ligação. Isso deixou a ala esquerda desguarnecida, no entanto, o que não favorece os avanços de Gibbs. Pode ser que, de alguma forma, possamos ver funcionar Arteta (ou Luiz Gustavo) com Ramsey e Wilshere juntos.

Assim ficaria o time:


Voltando à questão das transferências, Matthias Ginter é, supostamente, alvo para reforçar a defesa, que atualmente só tem 3 jogadores, sendo que um deles ficará fora por um tempo machucado. Vários outros nomes foram especulados, como Yoann Gourcuff, Geoffrey Kondogbia e Júlio César. Se algum deles ainda vai ser contratado, é um mistério, mas o fato é que é muitíssimo improvável que não haja mais contratações do que apenas Yaya Sanogo. O elenco está reduzidíssimo e não deverá continuar assim para o resto da temporada. O próprio Wenger já assumiu isso. Le Boss, por sinal, perdeu muito de sua credibilidade com a torcida, especialmente a tupiniquim. A inglesa ainda é mais ponderada e dá crédito por tudo o que ele fez durante os outros 16 anos que ficou no clube.

O maior objetivo desse post, por fim, foi tranquilizar os torcedores para a próxima temporada, principalmente para o restante da janela de transferências. O Arsenal é um clube de contratações tardias e de pechinchas. A janela fecha no dia 2 de setembro, o que faz com que tenhamos mais 19 dias para mudar o quadro atual. Suárez pode apenas ter sua situação definida após o dia 28, com 5 dias restantes, e as demais contratações devem seguir a mesma toada. Os rumores vem e vão e não devemos nos irritar porque tal jogador não assinou contrato ou porque tal jogador preferiu jogar em tal clube. Não há como provar o que é verdade e o que é balela para vender jornal. Portanto, se irritar com os jogadores e com Wenger, principalmente com ele, é em vão. Poupem suas energias para o decorrer da temporada, porque aí sim teremos motivos concretos para nos irritarmos.

Só para não deixar passar, o Arsenal, independentemente de quais transferências fizer, não deve brigar pelo título. O Manchester City está enfraquecido, vide o amistoso do último sábado; o Man Utd tem um treinador novo, não testado no cenário internacional, David Moyes, e pode não contar com Rooney; e o Chelsea, por outro lado, tem um elenco riquíssimo em peças de reposição e um treinador que volta com sangue nos olhos para o reencontro com a Premier League, José Mourinho. Meu palpite: Chelsea campeão, Man City em segundo lugar, Man Utd em terceiro, Tottenham em quarto (talvez) e o Arsenal em quinto. Um pouco pessimista, é verdade, mas estou dando essa palpite com a maior vontade do mundo de estar errado.

Portanto, amigos torcedores, ainda estamos no dia 14. Para a realidade da maioria dos clubes é "já estamos no dia 14", mas sabemos que para o Arsenal, o "ainda" tem sido mais válido recentemente. Amanhã Luiz Gustavo anunciará qual será seu destino e, caso ele seja o Emirates, esse já será um ótimo "começo de final de janela".

KEEP THE FAITH!!

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